aprendi
disseram
que valia a pena
saber
ser melhor
ir mais longe
correr adiante
pensava
que valia a pena
mas agora
sinto
um somos todos
um
um
sinto
um
momento
um
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
outra margem...

quantas margens
na outra margem
e eu aqui
gritos
gritos
chamas
fogo
e eu chamo-te
a ti
estás lá
ao longe
choro
sim
a outra margem
é aqui
do outro lado
vejo-me
a meio de um rio
mar de lágrimas
abraça-me, distância
abraça-me, distância
pensava eu
que era só isto
afinal
sou outra parte
a olhar-me de longe
na outra margem
ilusão
agora vejo
guia luz
súbito olhar!
divididos
unindo-nos
somos dois
sem saber mais
de que lado
a outra margem?
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
When the clay calls
I am in awe of this clay that fills me with passion
And wonder.
This earth
I have become a part of
That also I have grown out of.
Nora Navajo-Morse
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
aqui
Ausente mas presente, mais presente do que nunca. Especialmente centrada, a viver no centro, centrada, a centrar cada instante, a subir e a baixar cada segundo, a moldar a eternidade, para cima para baixo a equilibrar a vida... movimentos tão simples básicos essenciais que se tornam tão complexos são tão densos... ao ritmo da vida respirando ar vermelho que me alimenta a alma
sábado, 20 de outubro de 2007
átomo vida
encontrei pássaro morto
pisco abandonado
ali
olhar da vida
mas ele um corpo vazio
já se fora
agora
vive em todo o lado
pisco abandonado
ali
olhar da vida
mas ele um corpo vazio
já se fora
agora
vive em todo o lado
algo essencial
cobre-me com o olhar
essencial
essencial
lágrima caindo
perfeita
música palavra
gotas de sal
notas puras
firmes
ecos de luz
coração
passos lentos
dá vida doce
ínfima
essencial
essencial
essencial
lágrima caindo
perfeita
música palavra
gotas de sal
notas puras
firmes
ecos de luz
coração
passos lentos
dá vida doce
ínfima
essencial
terça-feira, 16 de outubro de 2007
...tanta coisa nova ...!
Início da semana ... um novo começo, uma nova vida, muitas surpresas... outra vez a estudar... parece que a minha vida é de recomeços e aprendizagens, muitas aprendizagens, tanta coisa nova, diferente!
Agora aqui estou, a estudar e a residir no Cencal, o centro de formação das Caldas da Rainha... quem diria! Há uma semana atrás ainda estava longe desta possibilidade, numa realidade muito distante daqui. Fui ao site do Cencal (http://www.cencal.pt), inscrevi-me no curso de Cerâmica Criativa na terça à noite, na quarta ligaram-me a marcar entrevista para sexta...
Foi assim...
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
terça-feira, 9 de outubro de 2007
... a revolução continua ...
Muito pó por todo o lado, muita confusão, muitas coisas revoltas, amanhadas à pressa, atiradas para caixas e caixotes, emaladas, olhadas com uma certa tristeza, incerteza também. Valerá apenas guardar ainda isto ou então atirar para o lixo? As roupas, antigas, velhas, os rostos que nos miraram dos retratos durante anos lá de cima, dos seus lugares cativos de destaque, agora por terra, sentem-se avaliados pelos vivos, carregados, vão para um local bem menos digno do seu orgulho poeirento. As mobílias, cheias de pó, já do tempo em que se compravam coisas novas para aquela casa, desmontam-se ou cobrem-se com plásticos. Pode ser que ainda aguentem uma mexida destas! Até os aranhos sentem o sobressalto, correndo rápidos e assustados de aqui para ali. Estranham tanto movimento, as vozes que se levantam, discordam, ralham ou riem. Também eles precisam de procurar novo lar...
Por fim, no dia seguinte de manhã os pedreiros empoleiraram-se no telhado e começaram a tirar as telhas antigas, destelharam, destelharam, destelharam... a poeirada dos 56 anos de construção apoderou-se de toda a rua ("até à igreja", como disse o meu tio), as vizinhas trancaram-se em casa, calafetaram portas e janelas.
À tarde, depois do almoço, os pedreiros munidos com uma espécie de ferro dobrado na ponta, puxaram pelas canas, levantaram pregos ferrugentos e muito pó, arrancaram as canas com uma facilidade surpreendente. Minutos depois estava tudo no chão. Eu e a minha avó olhamos para tudo isto com admiração. Senti uma felicidade enorme! Que espectáculo maravilhoso! Que oportunidade de olhar a transformação! Que felicidade, que dádiva ... assistir assim a um desmoronar de tanta coisa velha, de tanto tecto, tanta telha ...
Lindo, aquele relento, todo aquele ar, tanta noite a entrar pelo vazio a descoberto lá do cimo ... a limpar, a renovar, a apaziguar as querelas antigas, a abraçar alegrias e tristezas ... embalando a criança o bebé está tudo bem, pronto descansa agora, está tudo bem ...
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
E eu... estou desperto agora?...
Meu interior, ouve-me, o espírito maior,
o Professor, está perto,
acorda, acorda!
Corre para os meus pés -
ele está perto da tua cabeça agora mesmo.
Dormiste durante milhões e milhões de anos.
Porque não acordar esta manhã?
KABIR
as mãos rodam rodam rodopiam acompanham o ritmo velozes dominam lentas acarinham fazem umas vezes criam outras demasiado fortes intrometem-se deitam a baixo caos depois centram-se centram repõem refazem concentram-se em novo equilíbrio aqui agora

domingo, 30 de setembro de 2007
Um ser humano faz parte do todo a que chamamos universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. A experiência que tem de si mesmo, dos seus pensamentos e sentimentos, é a de algo de separado do resto, uma espécie de ilusão óptica da sua consciência. Esta ilusão é uma espécie de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e ao afecto por algumas pessoas que nos são mais próximas. A nossa tarefa deverá ser a de nos libertarmos desta prisão, alargando o círculo da nossa compaixão de modo a abranger todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza na sua beleza.
Albert Einstein
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Fios
Na semana passada tive uma experiência inédita até aqui: fui ao cinema, à primeira sessão da tarde, e tive o privilégio de ser a única pessoa na enorme sala!!! De início senti-me um pouco atrapalhada e também curiosa, seria que iam passar o filme só para mim? E não é que foi isso mesmo que aconteceu?!?
Ouvi no filme a canção "Gracias a la vida" e fiquei com ela atrás da orelha. Descobri a letra na internet e fiquei a saber que era da autoria de Violeta Parra. Já ouvi várias interpretações, mas a dela tem um sabor especial, pelo menos para mim. Não sei explicar exactamente porquê. É algo que sinto.
Depois descobri um vídeo onde a própria Violeta Parra canta e toca uma canção (nem sei como se chama) e achei muito belo... mais adiante, na entrevista, quando lhe perguntam que forma de expressão criativa escolheria se fosse obrigada a decidir-se por apenas uma (ela compunha, interpretava, tocava, pintava, escrevia, elaborava tapeçarias, entre outras coisas) e ela, olhando para baixo, um pouco incerta, mas segura também, respondeu: "eu escolhia ficar com as pessoas, pois são elas que me motivam a fazer tudo isso".
A forma como ela fala, as mãos a trabalhar na guitarra, no pano, com o pincel... um toque sensível, uma linguagem que ultrapassa a palavra e o silêncio
Que bonito. É enternecedor, faz-me sentir uma grande emoção...
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Gracias a la vida
Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado,
Y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido y el abecedario.
Con él las palabras que pienso y declaro,
"Madre,", "amigo," "hermano," y los alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados.
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Me dio dos luceros, que cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado,
Y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto,
Me ha dado el sonido y el abecedario.
Con él las palabras que pienso y declaro,
"Madre,", "amigo," "hermano," y los alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados.
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón, que agita su marco.
Cuando miro el fruto del cerebro humano,
Cuando miro al bueno tan lejos del malo.
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto.
Y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
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